cnrn

Ataque a mercado na Etiópia deixa mortos, dizem testemunhas; ofensiva aumenta a tensão no país

Por Nilton Macedo em 23/06/2021 às 23:36:50
Entre as vítimas, estariam crianças, segundo fontes ouvidas por agências de notícias. Região de Tigray vive intensos conflitos desde o ano passado. Vítima de ataque em Tigray, na Etiópia, é atendida em Meleke nesta quarta-feira (23)

AP Photo

Um ataque aéreo a um mercado na região de Tigray, norte da Etiópia, matou 51 pessoas, informaram médicos da região nesta quarta-feira (23). Segundo esses profissionais, soldados tentaram impedir a passagem de insumos e reforços para atender os feridos da ofensiva, ocorrida na noite de terça.

Fontes disseram a agências internacionais que um avião jogou uma bomba no mercado de Togoga. De acordo com autoridades médicas ouvidas pela Associated Press, mais de 100 pessoas estão feridas, metade delas com gravidade. Além disso, 33 pessoas estão desaparecidas, segundo as mesmas fontes.

Um dos casos relatados pela Associated Press é o de um bebê que morreu após a ambulância que o levava após o ataque ficar retida em uma rodovia bloqueada por militares, a cerca de 60 km do local do ataque.

Mapa mostra a região de Tigray, no norte da Etiópia

G1

Estima-se que centenas de pessoas tenham morrido desde início das hostilidades em Tigray, em novembro. Agências de ajuda humanitária dizem que 350 mil pessoas passam fome na região.

O ataque ocorre na semana em que a Etiópia passou por eleições parlamentares e regionais, com denúncias de obstruções a observadores locais. Veja no VÍDEO abaixo.

VÍDEO: Etiópia tem primeira eleição livre após décadas de repressão

Crise no Tigray

O conflito na região se intensificou em novembro do ano passado, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, anunciou ataques contra a Frente de Libertação Popular do Tigray (TPFL).

Abiy Ahmed afirma que sua operação militar é uma resposta aos ataques a dois campos militares federais pela TPLF, que no passado dominou a política etíope e que afirma ter sido marginalizada e atacada pelo primeiro-ministro. A TPLF nega ter realizado esses ataques.

As tensões entre Abiy e a TPLF aumentaram em setembro, quando, depois que as eleições nacionais foram suspensas devido ao coronavírus, a região deu início às suas próprias eleições, insistindo que Abiy era um líder ilegítimo.

VEJA TAMBÉM: 5 pontos para entender por que a Etiópia está à beira de uma guerra civil

Mais de 50 mil pessoas fogem da Etiópia por causa de conflito armado

Os confrontos preocupam entidades internacionais pela violência: a Anistia Internacional denuncia massacres de civis com uso de facas.

O governo tem dito que está perto de derrotar os militantes em Tigray. No entanto, forças leais à TPLF anunciaram recentemente novas ofensivas e declararam vitória, por sua vez.

Fonte: G1

Comunicar erro
Jota Edilson

Comentários