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Americano retido no Irã pode morrer se não for operado, dizem advogados

Por Rogerio Magno em 04/10/2021 às 19:21:02
Idoso preso desde 2016 é ex-funcionário do Unicef e é acusado pelo regime iraniano de espionagem. Ele precisa de uma cirurgia para desbloquear uma artéria que irriga o cérebro. Bandeira do Irã, em imagem de arquivo

Leonhard Foeger/Reuters

Um iraniano-americano octogenário retido no Irã corre o risco de morrer se não for submetido a uma cirurgia urgente, disseram nesta segunda-feira (4) seus advogados, que pediram às autoridades iranianas que o deixem sair do país.

Baquer Namazi, de 84 anos, ex-funcionário do Unicef, foi detido em fevereiro de 2016, quando visitou o Irã depois que seu filho, Siamak Namazi, um empresário, foi preso em Teerã no ano anterior.

Pai e filho foram condenados por "espionar" para os Estados Unidos. Baquer Namazi foi posto em prisão domiciliar por razões de saúde em 2018. Porém, seu passaporte foi confiscado e ele continua proibido de deixar o país. O Irã não reconhece a dupla nacionalidade.

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Segurando as lágrimas, outro filho, Babak Namazi, disse que a família está "devastada" e que a situação era "um tipo de tortura que não desejaria ao (seu) pior inimigo".

"Este não é, nem nunca foi o final que meu pai merece. Meu pai é uma pessoa desinteressada, que dedicou sua vida ao serviço público", disse em coletiva de imprensa virtual.

Babak Namazi, filho de Baquer Namazi, em foto de 7 de março de 2019 durante declaração no Capitólio em Washington pedindo a repatriação do pai, que está no Irã, para os EUA

Susan Walsh/AP Photo

Baquer Namazi precisa colocar um stent na artéria principal do cérebro, que está bloqueada em 95%-97%, segundo seus advogados.

"A situação de Baquer, com quase 85 anos, agora é grave e extremamente urgente", escreveram em uma carta dirigida ao relator especial da ONU sobre o direito à saúde física e mental, o sul-africano Tlaleng Mofokeng.

Em 28 de setembro, seus médicos chegaram à conclusão de que devia ser operado em um prazo de sete a dez dias.

EUA querem transferência

Namazi poderia ser operado no Irã, mas seus advogados dizem que seria uma situação muito estressante depois de quatro anos de prisão e em um país que ainda sofre com a pandemia de Covid-19.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse mais tarde aos jornalistas que a libertação dos Namazi, assim como de outros americanos no Irã, era uma "prioridade absoluta" para o governo do presidente Joe Biden, mas que era mais eficaz discutir os casos "fora do foco do público".

"Não dá ao Irã nenhuma vantagem e o mundo está unido contra esta abominável prática de reter seres humanos, reter indivíduos, para obter vantagens políticas", disse Price.

Siamak Namazi, o filho de Baquer, por sua vez, cumpre pena de dez anos de prisão, após ter sido considerado culpado de colaborar com um governo inimigo.

Sua família nega categoricamente as acusações e diz que foi submetido a um extenso interrogatório sobre seu trabalho com instituições americanas.

Ao menos quatro cidadãos americanos estão retidos no Irã e o governo de Joe Biden pediu sua libertação, enquanto os Estados Unidos tentam reativar o acordo nuclear com o Irã de 2015.

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Fonte: G1

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