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Estudo: aumento de demanda por viagens espaciais aumenta risco de invasão alienígena

Por Rogerio Magno em 29/11/2021 às 13:40:08

Um estudo produzido pela Universidade McGill, no Canadá, afirma que a demanda por mais viagens espaciais pode aumentar o risco de uma “invasão alienígena” – embora não especifique de qual escala -, cortesia de organismos extraterrestres que possam “pegar carona” em uma de nossas naves que retornarem do espaço.

O paper foi publicado no jornal científico BioScience e busca explicar, logo de cara, que por “invasão alienígena”, eles não estão se referindo ao universo da ficção científica visto nos cinemas, mas sim de organismos bacterianos/microscópicos que não sejam endêmicos ao nosso planeta, efetivamente introduzidos na Terra e tornando-se invasivos e potencialmente danosos.

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Segundo estudo, uma “invasão alienegína” seria “menos xenomorfos de Hollywood e dos videogames/mais bactérias”, que trariam riscos não endêmicos à Terra graças aoa aumento na demanda por viagens de exploração espacial (Imagem: NetherRealm Studios/Divulgação)

“A busca pela vida fora do nosso mundo é uma empreitada empolgante que poderia trazer enormes descobertas em um futuro não tão distante”, disse o autor primário do estudo, Anthony Ricciardi, ao Live Science  via e-mail. “Entretanto, com o maior volume de missões espaciais – incluindo aquelas com objetivos de entregar amostras de fora à Terra -, é crucial que empreguemos a redução de riscos de contaminação biológica em ambas as direções”.

Ricciardi, que é Professor do curso de especialização em Biologia Invasiva na McGill, refere-se aos cuidados que cientistas tomam para que eles não contaminem as amostras coletadas, preservando a sua pureza. Para ele, o caminho contrário é igualmente importante, justificando a necessidade de se criarem parâmetros para que nós não sejamos contaminados pelas amostras.

Junto de seu time, o especialista ressalta que o risco de uma invasão alienígena ocorrer desta forma (ou seja, “aliens caroneiros”) é “extremamente baixo”, uma vez que o ambiente inóspito do espaço não facilitaria a sobrevivência de qualquer organismo do lado de fora de uma nave. Entretanto, isso não elimina a necessidade de cuidados específicos para minimizar esse risco.

Ricciardi usa exemplos ocorridos aqui na Terra para reforçar sua hipótese: em 1935, o governo australiano enfrentava o problema de besouros destruidores de hortaliças e outras plantas originadas na agricultura de consumo. Como medida de contenção, foram importados alguns exemplares de sapo-cururu, natural das Américas Central e do Sul.

O problema: sapos-cururu se reproduzem a uma velocidade assustadora e, pouco depois de serem introduzidos na região australiana – onde seus predadores naturais americanos não existem -, eles é quem se tornaram a praga, aumentando sua população antes do fim daquela década e sendo um problema que perdura até hoje.

Há também a questão biológica: organismos insulares – isto é, que se desenvolveram em ambientes muito específicos – não contam com as adaptações físicas vistas em espécies semelhantes que vivem em regiões mais pluralizadas. Na Terra, exemplares tão exclusivos são comumente encontrados em ilhas fechadas ou regiões de difícil acesso – Madagascar, por exemplo, é um caso moderno de biologia insular.

Os especialistas indicam, contudo, que a mesma tratativa deve ser aplicada no espaço: “Invasões biológicas foram rotineiramente devastadoras para as plantas e animais nesses sistemas. Nosso estudo pontifica que planetas e luas com potencial de hospedar a vida sejam também tratados como se fossem ambientes insulares”, disse o professor.

Como evidência, o paper cita o incidente de 2019, onde a espaçonave israelense Beresheet caiu na Lua. A nave em questão carregava centenas de tardígrados (vulgarmente conhecidos como “ursos d"água”) – uma criatura incrivelmente pequena, mas conhecida por ser extremamente resistente à maioria das condições nocivas, desde radiação até o congelamento extremo.

Estudos posteriores indicaram que a carga da Beresheet provavelmente não teria sobrevivido à queda, mas a situação em si serve para ressaltar o risco de contaminações biológicas do tipo.

Jennifer Wadsworth, uma astrobióloga da Universidade Lucerne, na Suíça e que não está envolvida na produção do estudo, chamou-o de “um excelente resumo” para a contínua e necessária criação de políticas atualizadas de proteção planetária: “os planetas e as luas sempre trocaram materiais por meio de meteoritos, mas a exploração espacial humana poderia acelerar contaminações que, de outra forma, ocorreriam naturalmente”, ela disse.

Ricciardi espera que o estudo desenvolvido por sua equipe sirva de base para que pesquisas futuras sejam capazes de desenvolver práticas mais consistentes de cuidado na prevenção à contaminação biológica – tanto deles para nós, como de nós para eles.

Afinal, e se os tardígrados tivessem escapado?

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Fonte: Olhar Digital

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