Agentes de Abin paralela sabiam sobre minuta de golpe, indica PF

Documento √© parte de outra investigação cujo alvo √© Bolsonaro

Por Rogerio Magno em 11/07/2024 às 17:49:58
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao menos dois dos investigados presos nesta quinta-feira (11) na Operação Última Milha tinham conhecimento sobre a exist√™ncia de uma minuta de decreto para promover um golpe de Estado, que poderia ser assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Última Milha, tocada pela Polícia Federal (PF), apura uma suposta estrutura paralela de espionagem montada na Ag√™ncia Brasileira de Intelig√™ncia (Abin), que teria como objetivo monitorar ilegalmente advers√°rios pessoais e políticos do clã Bolsonaro.

A "minuta do golpe" é alvo de um outro inquérito, que tem como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro e assessores próximos. As duas investigações tramitam sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das bases da investigação sobre a Abin paralela são os di√°logos mantidos entre o militar Giancarlo Gomes Rodrigues e seu superior, o policial federal Marcelo Araújo Bormevet. Os dois eram os respons√°veis por operar diretamente o programa First Mile, adquirido pela Abin e capaz de monitorar o posicionamento geogr√°fico de aparelhos celulares sem ser detectado pelo sistema de telefonia.

A PF aponta que as buscas feitas no First Mile coincidem com as conversas trocadas entre os dois, que foram obtidas pelos investigadores. Em dado momento, destaca a PF, Bormevet pergunta a Giancarlo: "O Nosso PR imbroch√°vel j√° assinou a porra do decreto?". O militar responde: "Assinou nada. T√° foda essa espera, se é que vai ter alguma coisa".

Para os investigadores, "as refer√™ncias relacionadas ao rompimento democr√°tico declaradas pelos policiais é circunstância relevante que indica no mínimo potencial conhecimento do planejamento das ações que culminaram na construção da minuta do decreto de intervenção".

A observação foi feita no requerimento no qual a PF pediu a prisão preventiva dos dois investigados, bem como o compartilhamento de informações entre o inquérito da Abin paralela e o da minuta do golpe. Ambos os pedidos foram deferidos por Moraes.

Para a PF, os crimes supostamente cometidos na Abin "se situam no nexo causal dos delitos que culminaram na tentativa de abolição violenta do estado democr√°tico de direito".

Esse foi um dos argumentos utilizados pela PF para pedir a prisão dos investigados. A autoridade policial alegou que a deflagração de uma nova fase da Última Milha poderia fazer com que os suspeitos buscassem destruir provas que ligassem as duas investigações.

Além de Bormevet e Giancarlo, outras duas pessoas foram presas nesta quinta-feira, enquanto uma quinta segue foragida. De modo preliminar, a PF apontou o cometimento de crimes como pertencimento a organização criminosa, invasão de dispositivo inform√°tico alheio, interceptação clandestina de comunicações e tentativa de abolição do Estado Democr√°tico de Direito.

A Agência Brasil tenta contato com os citados e está aberta para incluir seu posicionamento no texto.

Fonte: Agência Brasil

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