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Oitenta venezuelanos refugiados vivem em abrigo sem chuveiro e com apenas um vaso sanitário em Natal

Por Rogério Magno em 28/10/2020 às 15:40:16
Governo do RN anunciou que vai pagar aluguel social pelos próximos cinco meses para refugiados. 'Nós não somos animais, somos seres humanos', diz um morador. Familias venezuelanas vivem em condic?o?es desumanas em Natal

Dezoito famílias venezuelanas refugiadas vivem numa situação precária em uma escola estadual desativada que foi cedida pelo Governo do RN para moradia temporária. No local, não há chuveiros - todos tomam banhos em baldes do lado de fora -, há apenas um vaso sanitário funcionando, além de vários pontos que acumulam água da chuva e lixo, criando um esgoto à céu aberto.

Ao todo, 80 refugiados vivem nesta situação, sendo 39 crianças, desde junho deste ano.

O abrigo é no prédio da antiga Escola Estadual José Sotero, que fica no bairro Dix-Sept Rosado, Zona Oeste de Natal, onde também funcionou a sede do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros.

As salas que antes recebiam alunos hoje se tornaram dormitórios, com redes, colchões e roupas empilhados pelo local.

Áreas entupidas criam esgoto a céu aberto no abrigo

Anna Alyne Cunha/Inter TV Cabugi

O lixo também não é recolhido no local. Os moradores acabam acumulando e depois levam para o lado de fora do prédio. Até isso acontecer, o mau cheiro é constante em todos os lugares do espaço, inclusive na cozinha.

Outro problema grave é a água parada, já que a água da chuva e a que cai da caixa d'água acumulam e não é possível ter um controle. É ela também que serve para eles lavarem roupa e tomarem banho.

"Isso já tem muito tempo. Nós somos todos homens, fazemos trabalhos, serviços. Mas isso é todo dia e toda noite. É muito perigoso para nós", disse o pescador Mizael Gonzáles, que está com a mulher e quatro filhos no abrigo.

"O banheiro também está sujo. O banheiro usam todos, mulheres, crianças...Não podem fazer isso".

Mizael contou que a situação era ainda pior quando eles chegaram na escola, já que não tinha energia elétrica e nem lâmpadas. Eles providenciaram tudo.

"Nós não somos animais. Somos seres humanos. Precisamos também ficar no Brasil, morar, porque eu não vou voltar mais para Venezuela, vou ficar aqui".

Local sofre com acúmulo de água

Anna Alyne Cunha/Inter TV Cabugi

As famílias recebem doações de alimentos para sobreviverem, inclusive do poder público, mas precisam comprar material de higiene pessoal e de limpeza. Para isso, usam o dinheiro que ganham nas ruas.

"A gente não tinha dinheiro, não tinha como pagar aluguel, então, para não ficarmos na rua, o governo resolveu isso. Vocês sabem que aqui tem espaços entupidos. O governo uma vez desentupiu e deu certo, mas está entupido de novo", falou Aníbal José Peres Cardona, que também mora no espaço.

Segundo ele, nem local para tomar banho existe. "A gente toma banho aqui fora mesmo, com um balde, porque não tem outra maneira de fazer".

A Secretaria do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas) informou que vai fazer a limpeza do espaço na próxima semana, incluindo o desentupimento das áreas afetadas.

Cerca de 80 famílias vivem no espaço

Anna Alyne Cunha/Inter TV Cabugi

Governo vai pagar aluguel social

Em nota, o Governo do RN, por meio da Sethas, disse que em meio à pandemia firmou um termo de cooperação técnica para abertura e funcionamento do Centro de Acolhida e Referência para Refugiados, Apátridas e Migrantes (CARE/RN) "destinado ao acolhimento temporário, com privacidade, de refugiados venezuelanos indígenas Warao que estejam em situação de vulnerabilidade social, enquanto perdurar o período da pandemia".

O Executivo explicou, então, que cedeu um prédio "garantindo a sua manutenção física", e a Prefeitura de Natal se responsabilizou com o fornecimento regular de alimentação e com o acompanhamento por assistentes sociais, psicólogo e nutricionistas.

"No entanto, por recomendação das Agências da ONU (ACNUR e OIM), como uma alternativa ao abrigo provisório, o Governo do Estado financiará o pagamento de aluguel social por cinco meses para refugiados e migrantes em Natal, Mossoró, Caicó e Parnamirim". A previsão é que isso ocorra em novembro.

Um termo já foi assinado na segunda-feira com as Cáritas Arquidiocesana de Caicó. A entidade vai administrar recursos na ordem de R$ 475 mil para prover moradia temporária para 130 famílias em situação de vulnerabilidade social, "em especial, 50 famílias de refugiados, migrantes e apátridas no Rio Grande do Norte, inclusos os venezuelanos indígenas".

As famílias vão receber R$ 750 por mês e serão acompanhados por assistentes sociais da Cáritas e pelos CRAS e CREAS dos municípios aonde estão localizados.

Fonte: G1

Jota Edilson

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