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Representante da ONU pede 'respeito mútuo' após publicação de charges de Maomé

Por Nilton Macedo em 28/10/2020 às 23:12:08
Após Emmanuel Macron defender a publicação de caricaturas do profeta considerado sagrado para o Islã, líderes muçulmanos e o presidente da Turquia criticaram duramente o presidente francês. Um homem é visto ao lado de flores colocadas do lado de fora da escola secundária Bois d'Aulne, na segunda-feira (19), em homenagem ao professor de história assassinado Samuel Paty, que foi decapitado por um agressor por mostrar aos alunos cartuns do Profeta Maomé em sua aula de educação cívica

Anne-Christine Poujoulat/AFP

O Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, o espanhol Miguel Ángel Moratinos, fez um apelo nesta quarta-feira (28) em nota pelo "respeito mútuo por todas as religiões e crenças".

A declaração foi dada em um momento de tensão entre o presidente da França, Emmanuel Macron, e lideranças muçulmanas do mundo, inclusive o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pela defesa do francês à publicação de charges do profeta islâmico Maomé (saiba mais no fim da reportagem).

Presidente francês, Emmanuel Macron, em pronunciamento transmitido pela televisão nesta quarta-feira (28)

Christian Hartmann/Reuters

Em comunicado, a agência da ONU disse que Moratinos "acompanha com grande preocupação as crescentes tensões e casos de intolerância desencadeados pela publicação de caricaturas satíricas do profeta Maomé, que os muçulmanos consideram um insulto e profundamente ofensivo".

"As caricaturas incendiárias também provocaram atos de violência contra civis inocentes que foram atacados por sua religião, crença ou etnia", lamentou Moratinos, que já ocupou o cargo de ministro de Relações Exteriores da Espanha.

"Insultar religiões e símbolos religiosos sagrados provocam ódio e extremismo violento, levando à polarização e fragmentação da sociedade", acrescentou.

Crise sobre charges de Maomé

De boicote a produtos a caricatura de Erdogan: entenda a tensão entre França e Turquia

O presidente francês vem defendendo o direito de se fazer caricaturas de figuras religiosas como o profeta Maomé após o assassinato de Samuel Paty na periferia de Paris. A vítima era um professor que havia mostrado um desenho do líder islâmico durante aula sobre liberdade de expressão.

Em resposta, houve protestos pelo mundo contra as declarações de Macron. No islamismo, caricaturar Maomé ou representá-lo com desenhos é considerado uma heresia. O presidente turco também criticou duramente as declarações do francês, sobretudo depois que o jornal satírico Charlie Hebdo fez uma charge do próprio Erdogan. Houve pedidos por boicotes a produtos da França.

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Fonte: G1

Jota Edilson

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