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Maduro a ponto de recuperar o controle do Parlamento

Por Nilton Macedo em 05/12/2020 às 06:22:20
Partido do governo é favorito nas eleições para a Assembleia Nacional, último reduto que falta ao presidente para consolidar o poder absoluto na Venezuela. Nicolás Maduro Guerra, filho de de Nicolás Maduro, faz campanha em La Guaira, na Venezuela, nesta quinta (3) para concorrer na eleição parlamentar de domingo (6)

Manaure Quintero/Reuters

Sem o reconhecimento da OEA e da União Europeia, as eleições deste domingo (6) na Venezuela servirão para o regime de Nicolás Maduro conquistar o último reduto dominado pela oposição -- a Assembleia Nacional -- e consolidar o controle sobre todos os poderes. Para isso, o Conselho Nacional Eleitoral, alinhado ao governo, aumentou em 110 o número de cadeiras (66% a mais do que no último pleito) e mudou a fórmula de representação populacional para a eleição de deputados.

As novas regras favorecem o Partido Socialista Unido da Venezuela, de Maduro, como o grande vencedor nas urnas. A votação é considerada uma farsa e não terá observadores internacionais. Diante das manobras do CNE, que interferiu nas lideranças dos quatro maiores partidos de oposição, 27 legendas decidiram boicotar a eleição e advogam pela abstenção ao voto.

O regime contorna a indiferença dos eleitores com intimidação. Foi o que fez Diosdado Cabello, número 2 do chavismo, esta semana num comício em Carabobo: "Quem não vota, não come", advertiu. Para bom entendedor, a frase bastou. Ele associava a presença nas urnas às bolsas de alimentação, única solução de sobrevivência para os mais pobres.

O autoproclamado presidente interino do país, Juan Guaidó, deve perder o posto de deputado e pede que os venezuelanos fiquem em casa no domingo. E também que, em vez de votar, participem da consulta popular entre os dias 7 e 12, embora sem reconhecimento das autoridades eleitorais, para rejeitar o resultado das eleições.

Como observou o escritor Alberto Barrera Tyszka, em artigo publicado no "New York Times", não haverá surpresas no domingo. O chavismo venceu a eleição antes mesmo de os eleitores começarem a votar. "As eleições representam novamente o uso dos procedimentos e dos rituais da democracia para incrementar o autoritarismo", prevê.

A retomada do controle do Parlamento é o braço de poder que falta a Maduro, que se mostra indiferente ao fato de não ter o respaldo de grande parte da comunidade internacional. Exibe uma boa dose de sarcasmo, ao assegurar que deixará a Presidência da Venezuela caso a oposição vença as eleições para o Parlamento. Como se fosse viável.

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Fonte: G1

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Jota Edilson

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