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Israel investiga tumulto em festival religioso que deixou 45 mortos

Por Nilton Macedo em 03/05/2021 às 19:15:17
Várias pessoas foram pisoteadas. Evento para judeus ortodoxos reuniu cerca de 100 mil no norte do país, que começa a retomar festivais após controlar a pandemia. Centenas de judeus ortodoxos cantam e dançam no festival Lag B'Omer em Monte Meron, no norte de Israel, nesta quinta (29)

Reuters

A controladoria do Estado de Israel anunciou nesta segunda-feira (3) a abertura de uma investigação sobre o tumulto em um festival religioso que deixou 45 mortos e mais de 100 feridos na madrugada de sexta-feira (30).

Matanyahu Englman, chefe da controladoria, afirmou em entrevista coletiva que a tragédia poderia ter sido evitada e que instaurou uma "investigação especial" para determinar as causas do incidente.

Responsável por supervisionar o funcionamento das instituições públicas, o órgão do governo israelense já havia alertado duas vezes – em 2008 e 2011 – sobre falhas na organização do evento.

"Se isto tivesse sido solucionado, talvez a catástrofe poderia ter sido evitada", disse Englman.

O chefe de polícia da região, Shimon Lavi, e o ministro da Segurança Pública, Amir Ohana, disseram que assumem a responsabilidade pelo incidente, mas o segundo rejeita ser culpado pelas mortes.

Já a ministra dos Transportes, Miri Regev, próxima a Netanyahu, é apontada pela imprensa local como um alvo da investigação por ter fretado ônibus para levar peregrinos ao evento.

Mais de 100 feridos

Acidente durante celebração religiosa em Israel deixa mortos

Cerca de 100 mil pessoas — a maioria judeus ortodoxos — participavam da celebração Lag B'Omer, o maior evento desde o controle da pandemia do coronavírus no país.

Relatos apontam que pessoas caíram em uma arquibancada, o que causou um princípio de tumulto. Uma multidão então tentou sair por uma passagem estreita e pessoas foram pisoteadas.

"Infelizmente, encontramos crianças pequenas pisoteadas", afirmou Eli Beer, diretor de um serviço voluntário de ambulância, a uma rádio local. "Conseguimos salvar algumas delas".

O Magen David Adom, equivalente israelense à Cruz Vermelha, atendeu 150 feridos. Muitos foram levados a hospitais.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi ao local da tragédia e classificou-a como um "pesado desastre". O premiê declarou o domingo um dia de luto nacional pelas vítimas da tragédia.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visita o Monte Meron, no norte de Israel, após tragédia com mais de 40 mortos em evento religioso com judeus ultraortodoxos em 30 de abril de 2021

Ronen Zvulun/Reuters

Festival na pandemia

O Lag B'Omer é um feriado em homenagem ao rabino Simon Bar Yochai, um religioso do século II cujos restos mortais estão enterrados no Monte Meron.

O evento marca o início da retomada das grandes celebrações (religiosas ou não) em Israel, país que conseguiu controlar a Covid-19 com uma das vacinações em massa mais rápidas do mundo.

Quase todas as atividades já retornaram à normalidade pré-pandemia, e o governo israelense tirou recentemente a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre.

O festival foi cancelado no ano passado devido à pandemia. Em 2019, organizadores calcularam que 250 mil compareceram ao local.

Celebrações após a tragédia

Antes da mortes, a multidão percorria corredores e salões, dançando, cantando, rezando e acendendo velas e fogueiras.

Depois do incidente, alguns religiosos voltaram ao Monte Meron para continuar a celebrar o festival judaico.

MAPA — Local do tumulto que deixou mortos em Israel

G1 Mund

Fonte: G1

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Jota Edilson

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