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Crítica: Michael Myers amplia sua contagem de corpos em "Halloween Kills: O Terror Continua"

Por Nilton Macedo em 13/10/2021 às 18:20:30

No elenco que retorna, estão – além das Strodes – Cameron (Dylan Arnold), o namorado arrependido de Allyson, o policial veterano Hawkins (Will Patton), o xerife Barker (Omar Dorsey) e até alguns personagens que só quem viu o filme de 2018 com muita atenção vai lembrar, como o casal Marcus (Michael Smallwood) e Vanessa (Carmela McNeal). Do filme de 1978 estão de volta Tommy Doyle (que por questões de agenda não pode ser feito por Paul Rudd, que interpretou o personagem em "Halloween 6: A Última Vingança", de 1995, e agora é vivido por Anthony Michael Hall), que era o garotinho que Laurie cuidava, Lonnie Elam (Robert Longstreet), outro garoto do bairro que também teve um encontro com Myers,  a menina Lindsey, o policial Leigh Brackett e a enfermeira Marion. Os três últimos interpretados pelo elenco original, Kyle Richards, Charles Cyphers e Nancy Stephens, respectivamente.

De maneira de certa forma surpreendente, "Halloween Kills" pega muito emprestado de Halloween 2: O Pesadelo Continua, de 1981. Surpreendente porque esse filme sempre foi renegado pelo diretor e criador da franquia, o cineasta John Carpenter. Não só isso, mas sua continuidade foi totalmente apagada com o lançamento de "Halloween" (2018), junto com todos os filmes feitos depois do original de 1978. Ainda assim, David Gordon Green reaproveita vários elementos em seu segundo longa, como o fato da história se passar na mesma noite do Dia das Bruxas, a caçada de Michael Myers pela polícia, o pânico causado na população e o fato de Laurie Strode passar boa parte da trama no hospital, se recuperando dos acontecimentos do filme anterior. O cineasta é tão fã da série, que até referências à "Halloween 3: A Noite das Bruxas" (1982) podem ser vistas no filme – e olha que nem tem o Myers nesse!

As Strode: Karen (Judy Greer), Laurie (Jamie Lee Curtis) e Allyson (Andi Matichak) acabaram sem segundo plano por força do roteiro de 'Halloween Kills'. Imagem: Universal Pictures/Divulgação
As Strode: Karen (Judy Greer), Laurie (Jamie Lee Curtis) e Allyson (Andi Matichak) acabaram sem segundo plano por força do roteiro de "Halloween Kills". Imagem: Universal Pictures/Divulgação

E assumindo o papel que era de "Halloween 2", o novo filme ainda repara alguns furos no roteiro do seu antecessor. Mostra, por exemplo, como Myers foi finalmente preso, já que no longa de 1978 ele termina desaparecido, e 40 anos depois já surge encarcerado. Para isso, faz uma reconstrução da noite do Dia das Bruxas original, com direito ao retorno do eterno Dr. Loomis de Donald Pleasence, reconstruído digitalmente. Esse cenário ainda serve para explicar por que o policial Hawkins se sente tão responsável pela volta de Myers quanto Laurie Strode.   

A discussão sobre o trauma, trazida no filme de 2018, não só é retomada como é amplificada para uma comunidade inteira. A cidade de Haddonfield está apavorada com o novo massacre, e os que têm idade o suficiente lembram do que aconteceu em 1978. E o roteiro de Green nos lembra que uma multidão com medo pode ser algo tão ou mais apavorante do que um serial killer mascarado. Novos feridos não param de chegar ao hospital, enquanto a polícia parece desorientada na caça ao criminoso. A população, então, resolve buscar justiça com as próprias mãos.

O lado negativo disso é que o drama familiar dos Strode, construído no filme anterior, é praticamente deixado de lado para dar lugar a novos personagens traumatizados e em busca de vingança. Porém, como o filme inteiro se passa no espaço de poucas horas, falta tempo para criarmos apego a esses novos rostos e histórias antes que Michael Myers faça o que faz de melhor. E como faz: não tenho os números fechados comigo, mas posso dizer com tranquilidade que "Halloween Kills" provavelmente tem a maior contagem de corpos de toda franquia.

Cameron Elam (Dylan Arnold), e Lonnie Elam (Robert Longstreet) são dois retornos à franquia em 'Halloween Kills'. Imagem: Universal Pictures/Divulgação
Cameron Elam (Dylan Arnold), e Lonnie Elam (Robert Longstreet) são dois retornos à franquia em "Halloween Kills". Imagem: Universal Pictures/Divulgação

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Investir na violência foi a melhor decisão. O longa, de saída, sofre com o mesmo problema de todo “filme do meio” de uma trilogia. Sabemos que Myers estará de volta para a conclusão, então o que melhor para fazer com o personagem do que transformá-lo em algo além de um ser humano? "Halloween Kills" investe na ideia de que o vilão pode ser mais do que um assassino, ser um símbolo do medo e do terror que para sempre afetará a cidade de Haddonfield. O caos criado por sua passagem é a “maior obra de Michael Myers”, como destaca a personagem de Jamie Lee Curtis quando percebe que a multidão enfurecida pode se tornar um monstro tão perigoso quando o grandão mascarado.

O personagem Tommy Doyle está de volta à série, mas interpretado por Anthony Michael Hall. O ator Paul Rudd, que interpretou o personagem em "Halloween 6: A Última Vingança", de 1995, ficou de fora. Imagem: Universal Pictures/Divulgação

E para passar essa sensação, a trama de vale de um monte de personagens descartáveis que vão caindo um após o outro, como numa fileira de dominós. Alguns ainda tem um pouco mais de tempo de serem desenvolvidos, como os casais Marcus e Vanessa, e João Pequeno e João Grande – esses, os atuais ocupantes da casa dos Myers. Ambos, não por acaso, também servem de alívio cômico em alguns momentos. Mas no fim, estão juntos com a miríade de coadjuvantes e figurantes à serviço do slasher.

Se compararmos "Halloween" (2018) a "Star Wars: O Despertar da Força", no sentido que é bem fiel ao espírito do filme original e trouxe o elenco clássico acompanhando de caras mais novas, "Halloween Kills" seria "Star Wars: Os Últimos Jedi", com seu ritmo mais intenso de ação e fanservice. E do mesmo modo, saímos do cinema entretidos, mas sentido falta da conclusão daquela história, que só veremos no ano que vem. É torcer para que "Halloween Ends" não seja um "A Ascensão Skywalker".

Tchau, Michael! Até 2022, em "Halloween Ends". Imagem: Universal Pictures/Divulgação

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Fonte: Olhar Digital

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Jota Edilson

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