Padre acusado de desvio milion√°rio de dinheiro da sa√ļde √© preso

Por Rogerio Magno em 18/11/2023 às 09:35:47
Egídio de Carvalho Neto, o Padre Egídio, é suspeito de desviar milhões de dinheiro público destinado à saúde Foto: Reprodução/Facebook/Paróquia Santo Antônio de Lisboa

Egídio de Carvalho Neto, o Padre Egídio, é suspeito de desviar milhões de dinheiro público destinado à saúde Foto: Reprodução/Facebook/Paróquia Santo Antônio de Lisboa

Foi preso na manhã desta sexta-feira, 17, Egídio de Carvalho Neto, conhecido como Padre Egídio. Ele é investigado por suspeita de desvio, na última década, de R$ 140 milhões em dinheiro público destinado à saúde. Sabendo do mandado de prisão, ele chegou a ir para a casa de seu advogado em Recife (PE), mas se entregou para as autoridades.

Procurado, o advogado José Rawilson Ferraz, que representa Padre Egídio, disse que vai recorrer da ordem prisional. O Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Paraíba pediu a prisão preventiva de Padre Egídio e mais duas auxiliares dele no dia 29 de outubro. O desembargador Ricardo Vital, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB), autorizou o cumprimento dos tr√™s mandados de prisão.

Amanda Duarte Silva Dantas, acusada de ser o braço-direito do religioso, foi colocada em prisão domiciliar por ser mãe de uma criança recém-nascida. Procurado, o advogado dela não se manifestou até a publicação desta reportagem. Jannyne Dantas Miranda e Silva ainda não foi encontrada pela Justiça e não tem advogado no processo. A reportagem busca contato com ela.

O caso começou a ser investigado em junho deste ano, quando o próprio Padre Egídio procurou a polícia para comunicar o furto de 600 aparelhos eletrônicos de dentro das depend√™ncias do Hospital Padre Zé, instituição filantrópica que ele comandava. Eram mercadorias apreendidas, doadas pela Receita Federal para que o estabelecimento pudesse arrecadar dinheiro com as vendas.

A polícia localizou alguns celulares furtados sendo vendidos nas redes sociais e viu indícios de que o crime teria ocorrido com a coniv√™ncia do padre. De acordo com o Gaeco, ele se beneficiou de "parte dos valores conseguidos com a venda" dos equipamentos que foram furtados. O fato despertou as autoridades para investigar outros aspectos da vida financeira de Padre Egídio.

Patrimônio elevado

Quando a polícia começou a investigar o padre, descobriu que o gestor do Hospital Padre Zé tinha um patrimônio incompatível com o sal√°rio de R$ 15 mil que recebia da instituição. De acordo com o Geaco, Egídio é dono de 29 imóveis "de elevadíssimo padrão de construção" e, entre janeiro de 2021 e setembro de 2023, movimentou R$ 4,5 milhões na sua conta banc√°ria.

Ele é dono de dois carros de luxo e, em um dos seus imóveis, a polícia encontrou "um sem número de garrafas de bebidas alcoólicas que superam a média de mil reais por garrafa". Padre Egídio também est√° pagando o curso de medicina de um sobrinho em uma universidade particular, cujas mensalidades ultrapassam os R$ 13 mil, segundo as investigações.

Confusão patrimonial

Cadernos, anotações e aparelhos celulares apreendidos pela polícia mostram diversas transfer√™ncias banc√°rias feitas para a conta particular de Padre Egídio ou direcionadas a pagamentos que, segundo o Gaeco, teriam sido ordenados por ele. As anotações encontradas pelos agentes teriam sido feitas por Amanda Duarte Silva Dantas, que foi tesoureira do Instituto São José e do Hospital Padre Zé. Por isso, ela é suspeita de ser o braço direito de Egídio.

O caso ainda não tem denúncia e est√° em fase de investigação. Segundo a Promotoria, os documentos apreendidos "apontam para uma absoluta e completa confusão patrimonial entre os bens e valores de propriedade das referidas pessoas jurídicas (o hospital e o instituto), e aqueles atribuídos a Egídio de Carvalho Neto".

Uma das despesas supostamente pagas com dinheiro do hospital que consta no pedido do Gaeco reúne v√°rias compras de "itens de antiqu√°rio especializado em arte sacra, os quais até agora somam R$ 358,5 mil". Os artefatos teriam ido para decoração dos imóveis do padre.

As investigações preliminares feitas pelo Ministério Público afirma, que Amanda Dantas "realizava pagamentos e demais movimentações banc√°rias do Hospital Padre Zé para a conta pessoal de Egídio" e que ela "sacava dinheiro em espécie para realizar pagamentos "na boca do caixa" de diversos boletos e obrigações de Egídio". O modus operandi teria "o objetivo de mascarar, dificultar e romper o "paper trail" (rastro) do dinheiro".

De acordo com o Gaeco, Jannyne Dantas Miranda e Silva, que foi diretora administrativa do hospital e membro do Conselho Deliberativo do Instituto, "integrou-se nos fazeres de Egídio e Amanda, deixando de se manifestar em casos de sua compet√™ncia como diretora administrativa". O MP menciona dois casos – de um carro supostamente comprado para o padre com dinheiro do hospital e de 38 monitores médicos adquiridos e não entregues – em que ela pode ter se beneficiado.

Atual diretor diz que Hospital gerido por Padre Egídio tem dívida milion√°ria

O atual gestor do hospital encaminhou ao Gaeco um ofício no dia 16 de outubro mostrando a situação financeira da instituição filantrópica. O Padre George Batista Pereira Filho, diretor presidente do Hospital Padre Zé e do Instituto São José, mantenedor da entidade, afirma que o hospital deve R$ 2,3 milhões e que esse valor é incompatível com a entrada de recursos registrada na gestão de Padre Edígio.

No documento consta que, entre dezembro de 2022 e setembro de 2023, o hospital recebeu R$ 16,1 milhões em conv√™nios com o Estado da Paraíba. Além disso, Pereira Filho enumera tr√™s empréstimos. Dois de R$ 4,9 e R$ 7 milhões, feitos junto à Caixa Econômica Federal (CEF) em junho e agosto de 2022. O terceiro, no Santander, é de R$ 455 mil, feito em junho deste ano.

"Até o presente momento, não se identificou o que motivou a realização de empréstimos tão vultosos e qual foi o destino dado aos valores recebidos, pois esses valores não se encontram nas contas correntes do Instituto São José", afirmou o novo diretor. De acordo com ele, o custo mensal de manutenção do Hospital Padre Zé oscila entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão. Nas redes sociais, a entidade est√° pedindo doações para se manter.

Fonte: Portal 98 FM

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