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A margem de qualquer auxílio: pandemia empurra 22 milhões à pobreza

Por Rogério Magno em 21/02/2021 às 09:58:01

A perda da convivência, de abraços e, até mesmo, da vida de um ente querido não são as únicas consequências que a pandemia tem trazido para diversas famílias brasileiras. Há quase um ano no país, o coronavírus também é responsável por levar embora várias conquistas individuais que — em sua maioria — demoraram a ser obtidas: um bom emprego, o negócio próprio, a casa. No ano passado, o auxílio emergencial, que chegou a 67,8 milhões de pessoas, tirou 14 milhões de cidadãos da linha da pobreza e evitou que outros 14 milhões entrassem nessa condição.

Mas agora, com o fim do benefício, está acontecendo um retrocesso e até a classe média está perdendo a sua posição social. A previsão é de que as coisas só comecem a melhorar daqui a dois anos.

Há dias neste 2021 em que Simone Souza Bernardes, de 49 anos, deixa de comer para alimentar os filhos pequenos. Tem quinze. Mora com nove. Já estava enquadrada na linha de extrema pobreza antes da pandemia. Mas vive agora o medo maior: de que um de seus filhos ou ela própria morra de fome. Quando come, é uma vez por dia.

A família viveu um período menos dramático com o auxílio emergencial. No quintal com dez galinhas, sem água encanada, Simone conta com um poço artesiano e um fogão à lenha para cozinhar a exígua comida, quando surge.

O economista e pesquisador da FGV Daniel Duque, estudioso da desigualdade, calcula que cerca de 14% dos brasileiros que não eram pobres em 2019, antes da chegada do coronavírus, passaram a integrar as faixas da pobreza e da pobreza extrema no início de 2021 em decorrência do alto desemprego, da redução de atividades e do fim do auxílio emergencial. São 22 milhões de novos pobres.

Fonte: Extra

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Jota Edilson

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