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Pashtana Durrani, a jovem afegã que desafia o Talibã com projeto educacional para meninas e mulheres

Por Nilton Macedo em 24/08/2021 às 08:54:41
Ativista de 23 anos dirige ONG que já educou 900 alunas e promete resistir a desmandos do grupo extremista que controla o Afeganistão. Imagem de rede social mostra a ativista Pashtana Durrani, no centro

Reprodução/Instagram

Quando o Talibã dominou o Afeganistão pela primeira vez, em 1996, a ativista Pashtana Durrani sequer era nascida. A família foi obrigada a se refugiar num campo no Paquistão. De volta ao país, já livre da opressão do grupo fundamentalista, ela se dedicou à educação de 900 meninas e mulheres da zona rural de Kandahar, desenvolvendo uma plataforma on-line e off-line para que pudessem estudar à distância e em seu idioma.

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Pashtana tem apenas 23 anos e dirige a Learn, uma ONG sem fins lucrativos que provê tablets com baterias para mulheres que não saem de casa ou que moram em aldeias sem eletricidade ou onde as escolas foram incendiadas. A ONG alcançou as que não tinham acesso a material educativo, mas que receberam instrução em suas próprias casas.

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Agora, a reconquista do país pelo Talibã põe seu trabalho em risco. Mas a jovem ativista, que está num esconderijo desde a tomada de Kandahar, promete resistir aos desmandos do grupo, ainda que na clandestinidade.

Nos últimos dias, ela vem arquitetando planos e soluções para enfrentar a ofensiva talibã às mulheres e ao projeto educacional, que, afinal, foi criado justamente para superar desafios. “Se eles limitarem o currículo, vou fazer upload de mais livros para uma biblioteca on-line. Se eles limitarem a internet, vou mandar livros para as suas casas. Se eles limitarem os professores, vou iniciar uma escola clandestina.”

Em sua curta e desafiadora jornada, a ativista afegã acumula os títulos de campeã de educação da Fundação Malala e o de embaixadora da Anistia Internacional. Ao contrário da jovem paquistanesa que sobreviveu ao Talibã, Pashtana não conheceu a terrível realidade do país sob o domínio dos extremistas. Apenas ouvia relatos do pai, um respeitado líder tribal, e de alunas mais velhas.

Por esta razão, ela desconfia do discurso moderado dos líderes talibãs, que já se impõe desconectado da prática como duas narrativas distintas. A contar, pelos primeiros dias desde a retomada do país, meninas de Herat e Kandahar foram proibidas de frequentar escolas e funcionárias substituídas por homens em seus locais de trabalho.

Pashtana Durrani integra a base robusta de profissionais educados e formada nas duas últimas décadas no Afeganistão, como resumiu o escritor Khaled Hosseini, autor de “O caçador de pipas”, em artigo no jornal “Washington Post”: “Por meio da mídia social, eles se engajaram com o mundo externo em temas como direitos humanos, meio ambiente e justiça social e racial.”

O país que o Talibã reconquista é diferente de 20 anos atrás. E é isso que guia Pashtana a desafiar o grupo e seguir com seu projeto educacional e libertador. Ela entende que se o Talibã precisa de legitimidade para ser aceito pela comunidade internacional, terá também que aceitar e respeitar os direitos de jovens e mulheres.

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Fonte: G1

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Jota Edilson

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