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Guaidó rejeita participar de eleição para evidenciar fraude: 'Mundo já sabe que Venezuela é uma ditadura'

Por Nilton Macedo em 26/09/2020 às 08:17:32
Em entrevista ao G1, líder explica divergência de opiniões que rachou oposição contra o regime chavista. Guaidó defende boicote a eleição parlamentar, pois acredita que pressionar o chavismo a fraudá-la não ajudaria. Juan Guaidó durante encontro com profissionais da saúde em Caracas, em 10 de setembro de 2020

Manaure Quintero/Reuters

Juan Guaidó, o líder de oposição que se declarou presidente interino da Venezuela, afirma que não cogita participar das eleições parlamentares de dezembro, mesmo que fosse para explicitar uma fraude organizada por Nicolás Maduro.

"O mundo já sabe que é uma ditadura e que as eleições não são livres, a União Europeia já disse isso, a ONU publicou um relatório recente em que lista os delitos cometidos pela ditadura", diz Guaidó, falando de Caracas em entrevista ao G1.

Juan Guaidó durante entrevista ao G1, em 25 de setembro de 2020

Reprodução

De acordo com o oposicionista, não é possível traçar um paralelo entre a Venezuela e os acontecimentos em Belarus, onde as pessoas foram às ruas para se manifestar depois de eleições supostamente fraudadas por Alexander Lukashenko, porque Maduro já não tem apoio popular em seu país.

"Ele [Maduro] não se mantém porque tem apoio popular, mas sim por causa da tortura, das execuções, coisas que estão acontecendo neste instante, agora", diz Guaidó, citando um relatório deste mês de uma missão da ONU.

Veja uma reportagem sobre os relatórios da missão da ONU.

ONU acusa Maduro e governo da Venezuela por crimes contra a humanidade

As eleições de dezembro estão previstas na Constituição, mas um grupo de 37 partidos liderados por Guaidó decidiu não participar, alegando que havia possibilidade de fraude.

Outros opositores do regime chavista, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, argumentam que essa recusa é um erro, pois sem a participação da oposição, Maduro nem mesmo passaria pelo constrangimento de, de fato, ter de fraudar as eleições.

Guaidó afirmou que Capriles é um político venezuelano que precisa aparecer e dá entrevistas a jornalistas de outros países para causar agitação.

"É a opinião dele, ele pode exprimi-la", diz.

No entanto, afirma discordar: para ele, não é preciso demonstrar que o regime chavista não é uma democracia, algo que já seria considerado um fato pela comunidade internacional.

Ele lista cinco condições que deveriam ser observadas para que a oposição participe de eleições:

Permitir a todos o direito de serem eleitos

Dar acesso a organizações eleitorais internacionais para observar a votação

Apontar um árbitro independente

Deixar os partidos escolherem seus próprios dirigentes

Estabelecer um cronograma eleitoral de comum acordo

Com as eleições de dezembro, a Venezuela terá três casas legislativas nacionais diferentes: os deputados atuais, os que serão eleitos e uma assembleia constitucional chavista.

"Isso já é assim hoje", disse Guaidó --em janeiro, houve eleições para o Parlamento. Os opositores foram impedidos de entrar no edifício, onde os chavistas votaram e elegeram Luis Parra como líder. Segundo Guaidó, ele recebeu suborno de Maduro para isso.

Refugiados e representantes

Perguntado sobre a visita recente de Mike Pompeo, o secretário de Estado dos EUA, ao Brasil e outros países da América do Sul, na qual falou-se do tema da crise na Venezuela, Guaidó afirma que a vinda é legítima e foi para tratar de um tema da região: os refugiados venezuelanos.

"São pessoas que têm fome, que precisam de vacinas, de apoio, e os EUA sabem como lidar com refugiados", disse ele. O venezuelano diz ter o respaldo do governo de Donald Trump, que aplicou sanções econômicas à pessoas ligadas ao regime chavista.

Ele também diz ser correta a atitude do governo de Jair Bolsonaro, que cancelou as credenciais dos representantes diplomáticos de Maduro no Brasil --mesmo tendo decidido não expulsá-los.

Guaidó considera ser compreensível que o governo brasileiro tenha resolvido não enviar de volta os diplomatas, pois na Venezuela eles poderiam estar vulneráveis a agressões do regime.

Fonte: G1

Jota Edilson

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